Sobre o amor e a hipnose... - Rafael Baltresca

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Sobre o amor e a hipnose…

by ohipnologo

Sabe aquela sensação de estar tão apaixonado por alguém, estar diante de uma pessoa incrível, que te deixa até hipnotizado… Opa! Eu falei hipnotizado? Pois é… Não é raro ouvirmos algo deste tipo, não é mesmo? Mas por que será que essa expressão “estar hipnotizado” é tão utilizada para falarmos sobre uma paixão muito intensa ou uma forte atração?

Bom, de acordo com algumas linhas da Psicologia e até o próprio pai da Psicanálise, nosso famoso Freud que tudo explica, existem sim algumas semelhanças entre um sujeito em transe hipnótico e um sujeito “enamorado”.

Se você já experimentou as emoções de uma paixão arrebatadora, sabe que acaba ocorrendo uma certa “devoção” para com o objeto amado, uma espécie de sujeição ao desejo do outro. Nestas ocasiões, tudo o que o nosso ego busca é corresponder ao que o objeto amado nos apresenta como real; nossos impulsos estão concentrados em concretizar as idealizações deste outro para lhe proporcionar prazer, satisfazendo também com isso nosso próprio desejo de ser tudo para alguém.

Podemos dizer que, na relação hipnótica, o hipnotizador também se torna uma espécie de objeto “amado”, objeto de devoção, posto que passa a ser o único que está sendo focado pelo sujeito hipnotizado. Este, por sua vez, não presta atenção a mais ninguém durante o transe. A concentração da libido e dos impulsos neste objeto de devoção, ainda que ocorra de forma mais “consciente” (a pessoa precisa aceitar ser hipnotizada e seguir as instruções do hipnotizador), desencadeia no sujeito hipnotizado um desejo de corresponder à realidade apresentada como ideal semelhante ao desejo do sujeito apaixonado.

Em outras palavras, o transe hipnótico pode suscitar uma submissão desenfreada, tal qual ocorre com uma pessoa apaixonada. Isso até poderia nos ajudar a entender aquela sensação tão comum que ocorre em ambos os casos, no transe hipnótico e em uma relação amorosa: a de parecer que estamos sonhando acordado…

De fato, acabamos por deixar de lado o julgamento da nossa percepção (que diz respeito à consciência) e passamos a não distinguir muito bem o que é real e o que é imaginário. Focamos exclusivamente em corresponder, concretizar, satisfazer e nos entregamos por completo a este outro, seja ele uma paixão ou um hipnólogo (ou as duas coisas).

É o amor… É a hipnose…

Rafael Baltresca

Trabalha como palestrante desde 2001 e com hipnose desde 2007. É um apaixonado pela arte de hipnotizar e um dia ainda vai te fazer dormir...

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