A indução perfeita - Rafael Baltresca

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A indução perfeita

by ohipnologo

Existe um número de mágica chamado “encontrar os quatro ases”. É isso! Um nome esdrúxulo, mas que explica exatamente o que acontece. Alguém embaralha o maço de cartas e, adivinhe só, o mágico encontra os quatro ases. Cada mágico tem seu jeito de encontrá-los. Uns, gostam de fazer malabarismo com as cartas e deixá-los aparecerem misteriosamente e rapidamente entre seus dedos; outros preferem passar a mão pelo baralho e, com o olhar sedutor típico dos mágicos bregas, fazê-los aparecerem lentamente. Os mais tranquilos preferem que apareçam um a um; os mais ansiosos, de uma vez só.

 

Olha, eu já perdi as contas de quantas versões deste número eu já vi na vida. Se você digitar “encontrar os quatro ases” no Youtube, vai perder sua tarde vendo todas as versões possíveis e imagináveis: no bolso da calça, no paletó, em cima da mesa, dobrados, amassados, na boca etc.

 

Quando trabalhava como mágico, ouvia constantemente debates sobre qual era a melhor técnica para encontrar os ases (por mais ridículo que isso possa parecer). Já no mundo da hipnose – também nada menos ridículo – a discussão que sempre pipoca por aí começa por “qual a melhor indução?”.

 

Estou no mundo da hipnose há 11 anos e também já passei por essa crise existencial. Será que “arm pull” é sempre eficiente? Assistia àquela bizarrice do Hon Wong chamada Zap e tinha – quase – certeza de que “arm pull” era A TÉCNICA. Ledo engano… logo, descobri que não funcionava o tempo todo. Parti, então, para métodos regressivos, olhos cansados, cansados, cansados, cansados… e quem ficou cansado fui eu. Para muita gente funcionava tão bem, mas, para outras o método era lento e ineficaz. E, assim, segui na saga pela indução perfeita.

 

Hand drop, butterfly, técnica da baratinha, sentado, de pé, até que, um dia, lembrei-me da mágica dos quatro ases e cheguei a uma linda conclusão. Na verdade, não foi exatamente a mágica que refrescou a minha mente, mas a resposta de um sábio amigo quando lhe perguntaram “qual a melhor versão da mágica dos quatro ases?”. Este senhor, com a calma de um mágico japonês que sempre tem calma, resolveu a questão assim: “A melhor versão é a que você mais gosta”. Ponto. Pronto!

 

Na hipnose, a resposta é exatamente igual. Cada sujeito hipnotizado irá “gostar”, ou, em outras palavras, responder a uma indução diferente – alguns, respondem até na falta dela. Não existe – e nunca vai existir – uma técnica universal, com o botão de liga/desliga que queremos acreditar que existe. Pois é, a verdade é dura, amiguinho.

 

Desde este insight, resolvi desenvolver a minha própria indução, misturando várias outras técnicas, dando “tiros” para todos os lados e, em algum momento, casar com a preferência do sujeito. Quando a técnica é aplicada em grupo, melhor ainda, pois consigo impactar diversos tipos de sujeitos no mesmo momento, usando a mesma indução.

 

Procurei um nome ao acaso (!) e nomeei-a de “Indução Baltresca”, que funciona resumidamente assim:

 

1 – Olhe para cima e imagine madrugadas de estudo ou trabalho que você não podia dormir, pois tinha muito o que fazer. Os olhos pesam…

// Método fixação do olhar + experiência de um sentimento.

 

2 – Abra e feche os olhos enquanto conto de 10 a 1: 10.. 9.. 8.. 5.. 4.. 6.. 3.. 2.. 1.

// Método “pessoas difíceis” e confusão mental.

 

3 – Imagine uma energia da cor do relaxamento. Subindo, subindo e relaxando seus pés, pernas, peito, descendo pelos braços e subindo até sua cabeça. Quando esta energia chegar em sua nuca, permita que seu corpo inteiro relaxe. Quando isso acontecer, sua cabeça cairá para frente e seu queixo encostará em seu peito, relaxando, assim, seu corpo inteiro. 3.. 2.. 1.

// Método progressivo + visualização + compounding.

 

4 – Em alguns instantes, irei parar de falar. Quando isto ocorrer, comece a contar lentamente de 50 até 1. Além disso, imagine que cada contagem é um passo que você dá em direção a uma casinha que contém, em seu interior, seu grande objetivo. À medida que conta, você vai chegando mais perto desta casinha… e suas cores mudam… e os números também. Preste atenção apenas na contagem, no objetivo, nas cores, nos números, na casinha, na sua respiração, na música e nada mais.

// Sobrecarga do sistema nervoso enquanto faço o próximo passo com todos os voluntários.

 

5 – Galie´s touch (Armpull invertido – pelo ombro) em cada participante.

// Indução de choque.

 

6 – Agora, imagine uma escadaria com 5 degraus à sua frente. A cada degrau que desce, seu relaxamento aumenta ainda mais… 5, 4, 3, 2, 1.

// Aprofundamento por visualização.

 

É isso… essa é a minha mistura, o meu jeito de “encontrar os ases”. Creio que da mesma forma que sujeitos diferentes gostam/respondem a métodos diferentes, nós, os hipnólogos, também temos de escolher a indução que mais se alinha ao nosso estilo.

 

Não existe indução perfeita; esqueça esta saga sem fim. Escolha aquelas que mais te agrada e, caso você ainda não tenha encontrado a escolhida, te dou um caminho: crie a sua própria.

 

Minha indução detalhada, aqui: http://inducoesrapidas.com.br/aula-gratis

Rafael Baltresca

Trabalha como palestrante desde 2001 e com hipnose desde 2007. É um apaixonado pela arte de hipnotizar e um dia ainda vai te fazer dormir...

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