Ganhando dinheiro com hipnose de rua - Rafael Baltresca

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Ganhando dinheiro com hipnose de rua

by ohipnologo

Há um tempinho, o colega Bruno Cossalter publicou uma foto nas redes sociais com uma legenda pouco convencional para o mundo da hipnose: “R$76,30 ganhos com hipnose de rua!”. Para resumir, o fato é que ao invés de fazer a comum “Hipnose Grátis” de rua, o Bruno resolveu fazer um show no meio da praça e, ao final, pedir uma contribuição. Literalmente passar o chapéu!

Para conferir o post dele, é só clicar aqui.

Aproveite e clique aqui para assistir também ao vídeo completo do show de rua.

Como sempre, a ação teve seus prós e contras. Teve gente apoiando a iniciativa e parabenizando o Bruno pela quebra de paradigma, teve gente dizendo que cobrar por algo tão nobre era antiético, que hipnose não era arte ou que esta prática era passível de processo, por alegarem que os sujeitos pagaram sob o efeito da hipnose (?).

Para começar, vou usar a arte mágica como base para o meu pensamento…

Em 2001 comecei a me profissionalizar como mágico. Procurei conhecer todas as formas de me apresentar e me apaixonei por uma modalidade chamada Close-Up. Certamente você já viu algum mágico passeando pelas mesas de um bar ou se apresentando para pequenos grupos em convenções empresariais. Até mesmo pela TV, o Close-Up é muito comum… quem nunca arregalou os olhos com o David Blaine fazendo mágica cara-a-cara nas ruas norte-americanas?

Pois é… fiquei encantado e me dediquei – por mais de 10 anos – a esta arte. Para ajudar ainda mais, descobri que shows de close-up eram muito bem valorizados. Uma apresentação de 1 a 2 horas em uma festa empresarial poderia custar entre R$ 2.000,00 a R$ 5.000,00.

Qual é o mágico iniciante que falaria mal de um negócio desses? Você rejeitaria algo tão valorizado?

O ponto é que o Close-Up no Brasil não começou assim. E só vim a saber da história original anos depois. Tenho um grande amigo chamado Fabrini Crisci que é – sem dúvidas – um dos melhores/maiores/fodásticos mágicos e pintores do Brasil. Junto ao Vicente Pandolfi Neto (Vik), o Fabrini trabalhou por décadas na França e Alemanha com um dos atos mais incríveis que já vi na vida. Clique aqui para conferir um pouquinho do show deles.

Conversando com este meu amigo, descobri que, em 1980/1981, junto com o Vik, começou a fazer mágicas em bares de São Paulo de um jeito que ninguém fazia: sem cartola, sem coelho, sem fraque e sem pompas. Beeeem diferente dos mágicos tradicionais.

Além disso, ouvi dele, um dos primeiros a fazer Close-Up em São Paulo, como foi a reação dos mágicos da época. Diziam que “aquilo não era arte”, “o mágico deveria se apresentar de casaca e no palco”, “usar roupa informal descaracterizava o mágico” e blablabla blablabla blablabla.

Com o passar dos anos, esta modalidade ganhou força, requinte e os cachets quintuplicaram com a ajuda da mídia e dos mágicos de rua internacionais. E agora? O contexto mudou… a arte também?

Voltando ao assunto inicial, não há nada mais normal do que, assim como a mágica, a hipnose tomar vários campos diferentes. Shows de hipnose de rua, de teatro, de escola, de cinema, para muita gente, para pouca gente, cobrando muito, cobrando pouco, dos bons, dos ruins etc.

De onde estou, aplaudo a ousadia do Bruno Cossalter em levar o show da hipnose para a rua. E faço uma previsão: logo logo (mais logo do que imaginamos), já existirá o show de hipnose close-Up. Um hipnólogo passeando pelas mesas em um evento social e dizendo: “Olá… sou hipnólogo! Alguém gostaria de passar por uma experiência inesquecível?”

Ah, e cobrando MUITO BEM por isso.

P.S.: Você poderia ser o primeiro! #FicaADica

Para terminar o assunto, querido leitor, acostume-se com o fato de que mais cedo ou mais tarde a hipnose vai estar em todos os meios possíveis, como o vazamento d’água que preenche todos os espaços encontrados.

Você querendo ou não querendo, gostando ou não gostando, em breve teremos hipnose no farol, na rua, na favela, no bar, no quiosque, no elevador, no show, fora do show, em casa, nos hospitais, nos quadrinhos, nos filmes de ficção, nos de realidade virtual, com as mulheres, com os homens, no pornô, como entretenimento, como terapia, com gente séria, com gente tonta, com canastrão, com éticos, com anti-éticos, com religiosos, com ateus…

Sabe a história do “fazer xixi na piscina”? Pois é… é mais ou menos assim. Não tem volta, companheiro!

Agora, sobre a “banalização” da hipnose por conta de “passar o chapéu”, isto é outra história. Se usarmos a prerrogativa de que passar o chapéu – ou se cobrar pouco – banalizará qualquer tipo de apresentação de hipnose, cairemos em uma falácia que nos tirará do rumo da análise séria e coesa.

A banalização não está em “passar o chapéu”. Está em passar o chapéu de forma errada, em não se valorizar.

A arte de rua na Europa é muito (mas muuuito) bem valorizada. É comum você encontrar artista de rua que fatura o dobro dos engravatados com trabalho “convencional”. Ops… calma.. espera…. Agora você deve estar pensando: “Ahhhh…. lá vem ele colocar a Europa na jogada… não dá para comparar o Brasil com a Europa!”.

Eu sabia que você ia dizer isso. Então, deixe-me apresentar o palhaço Fernando Chacovachi Cavarozzi. Um ARGENTINO que já faturou em uma semana de trabalho na rua muito mais do que eu ou você trabalhando o mês inteiro. Eu tive o prazer de vê-lo em ação e me dá alegria presenciar um artista de rua do terceiro mundo sem microfone, palco ou artifícios caríssimos DETONANDO, FATURANDO MUITO e sendo um MESTRE no que faz.

Quando você vê o Chacovachi em ação, dá vontade de ser um artista circense, de viver como ele. Não tem espaço fixo, não tem portas e nem bilheteria, mas tem inteligência, ética e excelência no que se faz. E falando em ética, no palco ou em qualquer outro lugar, isto se resume em fazer algo que seja bom para um e para todos. Apenas isso!

Por fim, o que vai te valorizar no meio da hipnose não é como o que você faz, mas como você faz.

Fato: o Bruno Cossalter ainda era incompetente no show de hipnose de rua. E não leia o “incompetente” como xingamento, mas apenas como falta de competência neste modelo de trabalho. Pudera, foi a primeira vez que o fez… e como ser competente assim, de primeira?

Mas se ele quiser, se esforçar, estudar, pensar, repensar, trabalhar, trabalhar muito, ele pode SIM fazer com estilo, com elegância, sem o estereótipo do “mendigo de rua”, mas de ARTISTA DE RUA. E por que não um ARTISTA DE ELITE DE RUA?

Apenas por nunca ter sido feito, não impede que alguém o faça. No salão de festas, no palco ou na rua, é a excelência do artista que definirá seu sucesso. Imagine se algum dia, como artistas europeus ou argentinos, o hipnólogo-brasileiro-artista-de-rua se divertisse, intrigasse a todos os presentes, fizesse o que amasse, fosse respeitado, ético, e, além de tudo, faturasse mais de R$ 5.000,00 por dia trabalhado? Você mudaria o seu ponto de vista ou continuaria com seus paradigmas limitantes?

Rafael Baltresca

Trabalha como palestrante desde 2001 e com hipnose desde 2007. É um apaixonado pela arte de hipnotizar e um dia ainda vai te fazer dormir...

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