Está tudo em nossas cabeças - Rafael Baltresca

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Está tudo em nossas cabeças

by ohipnologo

Você já ouviu falar em Psicossomática? Pode ser que não, mas a expressão “frio é psicológico” provavelmente sim. Embora seja usada de forma descontraída, a colocação abarca um sentido menos evidente e que reflete uma concepção inadequada sobre as emoções.

A ideia que pode ficar subentendida é a de ilegitimidade ou mesmo de irrelevância: se é psicológico, você não está sentindo de verdade, é bobagem ou algo que sua mente produziu e que você pode facilmente modificar.

Este pensamento muitas vezes se faz presente e concretiza-se, ainda que de forma irrefletida, na prática de profissionais da área da saúde. Tomemos como exemplo uma pessoa que chega ao hospital com dores no peito, formigamento no braço esquerdo, falta de ar, mas que, após avaliação médica e realização de exames específicos, não apresenta nenhuma patologia cardíaca. Provavelmente, ela ouvirá do profissional que pode ficar tranquila, que não é nada grave, que ela não tem nenhum problema no coração, não está morrendo e que deve ter sido apenas uma crise de ansiedade, um ataque de pânico.

Como assim ela pode ficar tranquila e não tem nada? Muitas vezes, deslegitimamos um sofrimento grave (que pode ser o nosso ou de outra pessoa) por não possuir uma causa orgânica, uma origem fisiológica.

Para a Psicossomática, essa divisão entre patologias de origem orgânica e patologias da ordem “psi”, com origem emocional, é dispensável. Independente de quem veio primeiro, o ovo ou a galinha, podemos e deveríamos olhar para um quadro de adoecimento levando em conta todos os aspectos presentes, inclusive o contexto em que se insere o doente.

Constantemente, nosso corpo responde e manifesta-se de acordo com nossas emoções da mesma forma que somos afetados emocionalmente pelos estímulos que sensorialmente captamos no ambiente. Trememos quando estamos nervosos, sentimos dor de barriga, choramos de alegria…

Por isso é importante ter uma visão holística do ser humano, pois, no fundo, está tudo em nossas cabeças, em algum grau, inclusive o potencial para a remissão de um sintoma. E é justamente na “parcela psíquica” de um problema que atua a hipnose.

Geralmente, em hipnoterapia, considera-se como objetivo encontrar o trauma que desencadeou o sintoma em questão. Contudo, de acordo com a neurologista irlandesa Suzanne O’Sullivan, nem sempre os sintomas de uma doença psicossomática estão relacionados a um trauma específico. Estes podem estar ligados à maneira como a pessoa encara uma lesão sofrida ou uma doença.

Ainda assim, é possível realizar um trabalho terapêutico extremamente eficiente, promovendo principalmente a recuperação da saúde mental e a ressignificação da própria vida diante da enfermidade pela qual o sujeito foi acometido.

Rafael Baltresca

Trabalha como palestrante desde 2001 e com hipnose desde 2007. É um apaixonado pela arte de hipnotizar e um dia ainda vai te fazer dormir...

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